quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Vade retro William

   “E Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te, e sai dele. E o demônio, lançando-o por terra no meio do povo, saiu dele sem lhe fazer mal.”  [Lucas 4:35]
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  Gosto de me sentir um super macho, pena que não escolhemos o que sentir.

  Nas manhãs de Domingo enquanto milhões de pessoas vão a cultos e missas eu faço uma longa caminhada, dura em média 2 horas, o tempo de um culto ou de uma missa.
  Mas uma caminhada comum qualquer macho faria então para me sentir um super macho coloco peso de 1 kg em cada uma das pernas.
  Claro que até chegar a isso houve várias etapas de adaptação, lembro que a primeira vez que decidi usar pesos comprei de meio quilo, depois de uns 3 km tive que tira-los das pernas e voltar para casa os carregando na mão, a dificuldade era tanta que quem me visse pensaria que estava com problemas intestinais.
  Quando atingi o que eu queria atingir surgiu um grande problema o TÉDIO.
  O que fazer? Caminhar por 3 horas, aumentar o peso das pernas?
  Pesquisei muito e cheguei à conclusão que colocar mais de 1 quilo poderia prejudicar minhas articulações no futuro e eu não quero isso, aumentar o tempo também não era viável não queria passar muito tempo do meu dia andando.
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  Para encurtar o texto eu digo que um fractal trouxe uma solução muito eficiente para esta equação da caminhada.
  A música é feita de poucas notas em diferente tons que se repetem em combinações infinitas, sim senhoras e senhores a música é um fractal.

  “A sabedoria não nos é dada. É preciso descobri-la por nós mesmos, depois de uma viagem que ninguém nos pode poupar ou fazer por nós.”  [Marcel Proust]

  No começo já senti bons resultados, mas eles ficaram excelentes graças ao capitalismo que com sua necessidade de inovação nos trouxe o MP3, eu não precisava mais ouvir o que a radio queria tocar, tenho LIBERDADE de ouvir só os fractais agradáveis a minha mente.
  Finalmente quando estou caminhando me sinto um super macho, acordo bem cedo antes do sol surgir, sou muito sensível ao calor, característica genética ou saudades de outra existência em terras geladas? Quem poderia saber?
  Só sei que durante a caminhada embalado pela música surgem em minha mente textos maravilhosos, a beleza se faz presente em todas as coisas do caminho, não sinto frio, não sinto calor, o corpo parece indestrutível e a mente não sabe o que é o tédio ou o vazio.
  O Sol vai surgindo e com sua luz realçando os brilhos e as cores tudo a minha volta aparece como magníficos fractais, um momento sublime que talvez as pessoas sintam nos cultos e nas missas…
   Mas sabem como é não escolhemos o que sentimos, a caminhada acaba, tem que acabar, tenho os afazeres do dia a dia, na maior parte da semana tenho que trabalhar, o calor exauri minhas forças a falta de lógica das pessoas entedia minha mente e eu volto a ser William, um ser cansado e entediado.
   De vez em quando um sorriso ilumina meu rosto, para não terem a certeza que sou louco digo que recordei uma piada, mas em verdade vos digo que lembrei que por duas horas eu me senti um SUPER MACHO.

  Não escolhemos o que sentir, mas se eu pudesse escolher, escolheria me sentir poderoso 16 horas por dia e as 8 horas restantes dormir e não pensar em mais nada, nem sonho queria ter.
  Para que eu usaria esse poder?
  As possibilidades são infinitas, já seria algo maravilhoso ser um cara menos chato.
  Ontem [21/04/2011] estive em uma bela festa de casamento de meu sobrinho Lendel com a adorável Natalia desejo muitos momentos felizes ao casal, uma vida longa e próspera.
  Meus familiares como sempre reclamam da minha reclusão, se eles me conhecessem melhor iriam agradecer, eu gostaria de ser um super macho, mas o que sou mesmo é um super chato.
  Para minha mãe que me conhece bem eu não consigo disfarçar, ela vive falando “como esse Robson é chato”, quando minha mãe está certa…ela está certa.
  Minha esposa e filhas, acabaram se acostumando com meu jeito, já não cobram tanto que eu mude.
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  Trazendo esse texto para 2013 acontece algo que me faz querer ficar ainda mais em casa... eu decepciono as pessoas.
  Elas leem os textos e esperam encontrar alguém falante, super comunicativo e só encontram o silencio, um cara chato que mal olha no rosto delas.
  Sei lá! Filosofia eu discuto na Internet, já escrevi um texto sobre isso:

 “A Filosofia para eu só faz sentido se puder acrescentar algum conhecimento, permitir uma troca de experiências, trazer algo que torne minha vida mais eficiente, que torne a vida do outro mais eficiente.
 A mudança não tem “obrigação” de acontecer, mas ela tem que ao menos ser “possível”. [Presença Física]

  Outras esperam que eu tenha sempre uma piada na ponta da língua!!
  Não sou comediante, muitas coisas só tem graça inseridas no “contexto do texto”.
  Mas as pessoas que mais decepciono são as que querem me exorcizar... é isso mesmo.
  Elas esperam encontrar um ser demoníaco e só encontram um pacifico cidadão, chato, profissional e silencioso.
  Por esses dias um colega passou por mim e falou algumas palavras em aramaico [pelo menos ele acredita que seja e eu não sei se é, não falo aramaico].
  Eu reconheci o som daquelas pessoas que falam línguas durante algum culto.
  Disse a ele com o ar meio sombrio, meio debochado:
  Você acha que vai conseguir expulsar o demônio de mim com essas frasezinhas em aramaico?
  HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! Foi muito engraçado.

  Não gosto de sair de casa, eu decepciono as pessoas...

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