quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Dor Social

   “Os maus atos não doem por serem proibidos, mas são proibidos por doerem.”  
[Benjamin Franklin]

  Tem pessoas que dizem que o proibido é mais gostoso.
  

  No caso da pessoa sentir prazer em correr riscos pode até ser, mas meu amigo Franklin não acredita que uma coisa possa ficar mais gostosa só por ser proibida.
  Vamos entrar por esta brecha e falar um pouco mais sobre PECADO.
  Peguemos algo proibido em qualquer sociedade ou religião, o assassinato.
  Não consigo pensar em ninguém que eu tenha vontade de matar, mas vamos supor que eu tivesse um grande desafeto, ora, mata-lo iria me dar grande prazer, não sentiria nenhuma dor ou remorso, pelo contrário, ser proibido mata-lo seria até desagradável caso eu viesse a ser preso.

  Acontece que Franklin fala da DOR SOCIAL, algo que não dói nada em mim pode doer muito em outro ou em outros então vem a proibição.

  Um desvio de verba não dói pelo simples fato de ser proibido, por isso me causa risos quando alguém apela para a consciência do bandido ou político corrupto.
  Se o cara tivesse esse tipo de consciência não praticaria o crime e se o beneficiou e muito fica ainda mais difícil voltar atrás.
  Um roubo ou desvio de verba não dói porque é proibido; dói “socialmente” porque atrapalha a vida de muitos em proveito de poucos, não conseguimos observar JUSTIÇA.

  

  Percebem como nos aproximamos de uma boa definição do que seria o pecado saindo dos dogmas religiosos?
  Vamos nos aprofundar mais um pouco nessa meditação.
  Roubo, estupro, assassinato, são atos que provocam muita dor então devem ser proibidos, são “pecados”.
  Mas analisemos outras coisas consideradas pecado:

   Porque é pecado uma mulher andar com a cabeça descoberta?
  Porque é pecado mulher dirigir um culto ou missa?
  Porque é pecado eu frequentar praia de nudismo?
  Porque é pecado eu participar de jogo de azar?

  O excesso de qualquer coisa pode ser prejudicial a minha vida ou a meu corpo então pecar contra eu mesmo deve ser evitado, mas se estou obtendo prazer e não estou prejudicando ninguém nem eu mesmo, não sei porque uma atividade deve ser proibida ou pecaminosa.

  Eu acho a luta de boxe ou UFC uma selvageria, mas nunca proibiria.
  O indivíduo sabe as regras, não é obrigado a lutar, “o prazer em lutar supera a dor” então…lute!

  Veja o caso do homossexualismo, não dá para uma religião séria defender esse tipo de ato, implicaria em admitir que Deus errou no corpo da pessoa.
  A lógica também nos diz que não faz sentido um homem sentir atração sexual por outro homem, logo pela lei de Deus e pelo uso da razão a pratica do homossexualismo deveria ser proibida.
  No campo religioso não há o que discutir, dogma é dogma e pronto, Deus é perfeito e só faz coisas perfeitas e pronto. Se o homem se desviou é culpa dele próprio e do Demo.
 A lógica nos permite andar mais algumas casas depois da virgula, então vamo nóis!
  Em que um casal gay prejudica a sociedade?
  Se os lutadores de boxe de comum acordo decidem se engalfinhar penso que é sensato de nossa parte aceitar.
  Se dois homens ou duas mulheres de comum acordo decidem viver como um casal me parece que deveremos seguir a lógica estabelecida para o boxe.
  Juro que nunca estimularia minha filha a seguir um esporte tão selvagem como essas lutas livres.
  Caso uma delas decida seguir eu lamentarei muito, mas se for uma escolha delas mesmo a contra gosto terei que aceitar, mas também confesso que não daria o menor apoio nem passaria a achar o boxe menos selvagem só porque minha filha aderiu a esse esporte.

  Se o homossexualismo for um pecado divino que Deus os mande para o inferno, não há nada que possamos fazer a respeito, não temos poder para evitar a danação eterna.
  Já no campo da LÓGICA se são cidadãos de bem, cumpridores da lei, não estão prejudicando ninguém então seria um grande desperdício de ENERGIA SOCIAL ficarmos os perseguindo.

  Não sou hipócrita, se minha filha se declarasse lésbica iria ser um dia muito triste, não teria o menor orgulho da opção sexual dela, não sairia por aí alardeando para amigos. Já sabem que eu acredito na eficiência social de MANTER AS APARÊNCIAS.   

  Se um amigo perguntasse eu diria a verdade e reclamaria de mais esta situação desagradável em minha vida.
  No entanto minhas filhas sempre seriam bem recebidas sem nenhuma falsidade de minha parte, se o prazer delas é esse e não estão fazendo mal a ninguém…


  Os maus atos (pecados)  não são proibidos porque doem em nós; são proibidos porque ferem os outros por um ato nosso.
  Essa lógica entra em sua mente?




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