quarta-feira, 23 de abril de 2014

Tenho Medo

  “Eu vivo à espera de inspiração com uma avidez que não dá descanso. Cheguei mesmo à conclusão de que escrever é a coisa que mais desejo no mundo, mesmo mais que amor.” [Clarice Lispector]
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  Eu não vivo à espera de inspiração, não sei por quanto tempo permanecerei nesse estado, mas posso escrever sobre qualquer coisa, tenho preferência por pensamentos ou situações que me provoquem.


  Também não sei definir o que mais desejo no mundo, não sei porque, mas sinto que minha vontade de escrever pode acabar a qualquer momento, se eu penso agora sobre isso sinto um grande medo ao mesmo tempo que entendo que posso conviver sem isso, ficar sem escrever.
  Eu não gosto de escrever sobre o medo porque entrar por essas brechas sempre traz medos novos.
  Minha vida está bem tranquila e a tranquilidade sempre dá uma sensação de segurança o que nos leva a não pensar tanto no medo.
  Percebo que de certa forma tenho enjoado rapidamente da vida, a falta de lógica a minha volta é tediosa e levar lógica as pessoas parece uma tarefa muito difícil.
  Por muito tempo fiquei preocupado com esse “enjoar de viver”, ainda bem que constitui família, minha esposa e filhas tem um maravilhoso encantamento pela vida e ver a alegria delas por coisas banais torna o banal algo especial.
  Tipo, eu não ligo tanto para ter um carro novo, mas a alegria da minha esposa é tanta que acaba me contagiando.
  Eu não ligo para festas, mas minhas filhas ficam horas no espelho se preparando e esperando com ansiedade, é gostoso vê-las tão satisfeitas, tão esperançosas.
  Enquanto eu não for um peso para elas, quero estar as auxiliando no que for possível.
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  Enjoar da vida a princípio pode parecer triste e talvez até seja, mas existe um plano de pensamento onde este defeito enlouquece a ponto de virar virtude.
  Enjoar da vida nos prepara para a morte e uma vez que todos iremos morrer, esse cansaço da vida se torna um bom negócio.

  Deixa eu ver se consigo ser mais claro, todos parecem gostar quando falo de sexualidade então vamos lá, sexo, carros e Bíblia estabelecem uma linguagem em comum de fácil compreensão.
  Entre as várias coisas que tinha medo uma delas era virar um velho babão.
  Igual a todo jovem de 20 anos diversão era sinônimo de mulher e quando somos jovens e sem compromisso esse tipo de “diversão” não chega a ser um grande problema, mas eu pensava na velhice.  
  Claro que aquelas mulheres de 20, 25 anos não se interessariam por eu lá pelos 55, 60 anos.
  O casamento até me parecia como um grande desafio, como desistir de muitas mulheres para ficar só com uma? Dava medo.

  Sempre fui muito observador e já sabia que esse amor dos livros ficava só nos livros mesmo, o amor pode muito, mas não pode tudo.

 Na historia da Branca de Neve, por exemplo, o final é “felizes para sempre”, mas será que depois de 2 anos o príncipe e a Branca ainda estariam em total harmonia?
  Nos livros românticos o gran finale é o casamento, mas na vida real o casamento é o começo de uma nova história.
  Humm... não é sobre casamento que quero falar agora, voltemos ao medo de me tornar um velho babão.
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  O tempo passou e como tive e tenho uma vida sexual satisfatória de uma certa forma posso dizer que “enjoei de sexo.”
  Atualmente tenho uma vida sexual satisfatória justamente porque a diferença de idade entre eu e minha esposa não é muito grande e estamos no mesmo ritmo de
desaceleração…HAHAHAHAHAHAHAHAHAH!
  Eu sei que para os Freudianos essa desaceleração sexual é uma lastima, digna de terapia, mas como sabem não tenho grande simpatia pela psicologia, é uma doutrina que não me empolga.

  Muitas das dificuldades de nosso tempo surgem dessa realidade inventada pelo Freudianismo de que o desejo sexual tem que se manter alto e constante por toda a vida.
  Esse alto libido pode ser característica de muitos indivíduos, mas não observo isso na população em geral.
  Confesso que se minha esposa tivesse a mesma necessidade sexual do tempo de namoro eu estaria em sérias dificuldades…HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
  Também se eu tivesse o mesmo desejo sexual dos meus vinte e poucos anos a fidelidade seria quase impraticável e aquele medo de me tornar um velho babão seria uma realidade inevitável.

  Como podem perceber, a princípio ter seu desejo sexual diminuído com o passar do tempo, enjoar de sexo, parece a pior coisa do mundo, mas na pratica a natureza me parece ser sabia.
  Eu trabalho em uma grande empresa, é evidente que tenho contato diário com moças espetaculares, mas embora admire seus corpos não tenho em minha mente fantasias sexuais com elas e acho isso ÓTIMO!
  Se meu desejo sexual fosse o mesmo de antigamente seria um inferno resistir a tanta tentação, isso fatalmente colocaria meu casamento em risco e as complicações surgiriam a perder de vista, com certeza minha vida não estaria tão tranquila.
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 Voltando ao tema e amarrando o texto:
 Assim como lá pelos meus vinte anos eu Freudianamente acreditava que não haveria vida sem um forte desejo sexual, por vezes me pego com esse medo de que minha vontade de escrever diminua, como se não pudesse haver vida satisfatória sem os textos gritando em minha mente.
  Sei lá! O barulho é ensurdecedor, nem sei como posso gostar disso, se os textos silenciassem de alguma forma talvez a vida continue satisfatória, mas tenho medo de pensar nesse dia, tenho medo de pensar nos medos…
  “Será que realmente existe vida antes da morte?”
 [Ou estamos apenas sendo preparados para vida?]



  “Já percebeu que quando estamos em nossa casa, próximo do horário de dormir tudo o que aconteceu de manhã parece ter sido um sonho.
  Sabemos que o tempo “demorou” para passar no trabalho, mas já não sabemos precisar quanto, lembramos da hora do almoço, mas já fica difícil lembrar exatamente o que comemos ou quem encontramos no elevador.
  É incrível como a realidade rapidamente se transforma em um sonho e lembramos mais do que nos emocionou do que sobre o que pensamos naquele momento.

  É porque pensamos pouco, na maioria das vezes só lembramos, nos condicionamos.

  Quando a realidade do dia a dia esta me sufocando percebo que estou sendo tomado pelo sentimento, pelo instinto, respiro fundo, começo a pensar e lembro do futuro, onze horas, meia noite, quando tudo voltará a ser sonho…
  Como quando estamos no calor do verão e nem sabemos como um dia usamos aquelas roupas do inverno.
  Acho que no momento de nossa morte pensaremos:

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