quarta-feira, 28 de maio de 2014

Museu de Novidades

“O grande problema do Capitalismo é que quem tem mais dinheiro tem mais poder, independentemente de qualquer coisa.”
 [E-mail]

  Temos essa tendência de buscar a “pedra filosofal”, aquela fórmula mágica capaz de resolver todos os problemas, alguém ou algo perfeito que nos guie.

  O Capitalismo [como qualquer coisa na vida] tem defeitos, devemos meditar sobre eles e ameniza-los ou corrigi-los usando a INTELIGÊNCIA, o BOM SENSO.

  Sempre que possível cito personagens da História.
  Nosso ensino fraco e a pouca importância que brasileiros dão ao conhecimento histórico faz muita gente recitar “um museu de grandes novidades”.

  O cidadão diz algo obvio, muito bem conhecido (para quem pesquisa/estuda), mas acredita que está dizendo algo novo ... uma grande novidade.

  Muito antes do surgimento do Capitalismo moderno, nossos irmãozinhos gregos analisando a estrutura de pensamento DEMOCRACIA já haviam observado essa “novidade” que o e-mail nos fala, a quase inevitável formação de uma “elite dominante.”

  A riqueza se concentra na mão de quem tem poder?

  Isso NÃO é novo, não é algo trazido pela Revolução Industrial ou Capitalismo.
  Imperadores, reis/rainhas não eram pobres, eram “donos” de todo reino, toda “propriedade”.
  Os impostos eram um pagamento por você ter o direito de morar nas terras do rei.



  Avançando para 1600, ocorreu a ascensão da Burguesia. 

 A Monarquia [nobreza] e a Igreja [clero] viram o surgimento de um novo poder, o poder de quem tem capital/dinheiro mesmo sem pertencer a corte ou ao catolicismo.
  Claro que Monarquia e Igreja Católica fizeram de tudo para não dividir o PODER, porem excelentes pensadores começaram a repetir tudo aquilo que os gregos meditaram em grandes debates FILOSÓFICOS.

  Mesmo contra a vontade de reis e papas a burguesia cresceu, ficou muito poderosa ... na sua camada mais rica.

  Os indivíduos que enriqueceram bastante podiam deter tanto poder quanto Reis e Papas e ... serem ser tão bons ou maus quanto reis e papas.

  Faziam da maioria o que bem entendessem, criando para eles leis a parte.

  Acontece que a maioria da população ficou “classe média”, longe da miséria e igualmente longe da opulência.
  Para que a maioria não ficasse sujeita a vontade dos “poderosos” a humanidade começou a desenvolver mecanismos para que...

 Apesar de sermos diferentes em nossas competências e posses, ninguém pode ficar acima de leis acordadas pela maioria.


  Aqui no Brasil estudamos pouco a REVOLUÇÃO GLORIOSA nosso ensino marxista prefere a Revolução Francesa.
  Eu digo que a Revolução Gloriosa foi…GLORIOSA.

  Fez renascer o ideal grego de SEPARAÇÃO DOS PODERES onde reis, padres, imperadores, ricos e pobres deveriam aceitar a vontade da maioria, se submetendo as mesmas leis.

  Mas isso daria um livro, vamos pegar um exemplo prático e atual.

  Qualquer um que se sentir lesado pode mover uma ação contra quem bem entender, pode ser um padre, policial, filho do prefeito, Roberto Justus... e até contra pessoas jurídicas como Banco do Brasil ou Vivo.

  Depois de mais de 10 anos ganhei a causa contra uma construtora.
  Pagava pontualmente (e com muito sacrifício) todas as prestações, quase dois anos depois não havia nem o alicerce do prédio!
  Fiquei ainda mais temeroso quando a mesma construtora foi processada em São Paulo Capital por não entregar uma obra.
  Eu estava tão com a razão na minha desistência que se tivéssemos um poder judiciário de melhor qualidade teria recuperado meu capital no máximo em 1 ano, mas foram mais de 10 anos.
  A correção do valor não foi integral 😩 e 30% ficou com o advogado.
[Claro que devemos melhorar a qualidade do nosso poder Judiciário, mas não quero falar disto agora.]

  Quero dizer que quem decidiu foi um JUIZ que dificilmente deve ter mais dinheiro que a Empresa condenada a pagar.
  Logo, o pensamento expresso no e-mail que no Capitalismo quem tem dinheiro tem mais poder “independentemente de qualquer coisa” não é observável.

  Gregos, ingleses e depois grandes pensadores do ILUMINISMO nos mostraram o melhor caminho a seguir, a melhor resposta contra o Absolutismo/Totalitarismo.

   DEMOCRACIA E CAPITALISMO.

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  Não dá para pensar em um mundo sem elites, nem dá para tirar delas seu poder, mas dá para evitar que elas nos dominem, evitar que elas fiquem acima das leis.
[William Robson]

 O Comunismo/Socialismo nada mais é que a Teocracia e a Monarquia disfarçadas de “nova ideologia”.

  Uma “novidade no museu” do que já foi duramente pensado e experimentado.

  Um Partidão que se comporta como um clero com dogmas que não podem ser negados sob pena de prisão ou morte como o Livro Vermelho de Mao Tsé-Tung.
  Observem a China, se você não for do partidão não tem a mínima chance de chegar ao poder e não importa quanto rico você seja o Estado controlado por uma oligarquia pode desapropriar sua empresa a qualquer momento.
  Quem pode dizer que Stalin não era um Imperador das republicas socialistas soviéticas?

  Qual a diferença de Fidel Castro e um rei absolutista!?

  O que dizer do poder dos aiatolás na teocracia do Irã?
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  O Capitalismo é uma estrutura de pensamento poderosa.

   Linda de ver e viver, para o bem da humanidade sua parceira ideal é a bela dama Democracia.

  Porem se não estudamos História, desistimos de pensar para vivermos de tradição.
  Nossa tradição é de reis, rainhas, imperadores ... ditadores, estados máximos ... a humanidade viveu assim na maior parte da história.
 
   

 

  Precisamos urgentemente de um novo ILUMINISMO, mais cidadãos que exerçam sua capacidade de PENSAR sem ficar trazendo tediosos museus de grandes novidades.

Revolução Puritana e Revolução Gloriosa.

1 - Os reis não podiam cancelar as leis do Parlamento;
2 - O Parlamento decidiria a sucessão ao trono e
3 - O Parlamento votaria o orçamento anual;
4 - As contas reais seriam controladas por inspetores;
5 - O Tesouro seria dirigido por funcionários.

   “Desse modo, criou-se a monarquia parlamentarista inglesa que vigora até os dias de hoje.
  O predomínio dos produtores rurais e da burguesia urbana e mercantil no Parlamento criou as condições necessárias para o avanço do capitalismo e o advento da industrialização no século seguinte.” 





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