terça-feira, 17 de março de 2015

Arvore da Vida Eterna

  “Em nenhum momento Deus privou o homem de comer da arvore da vida eterna apenas proibiu comer da arvore do conhecimento, porquê?” [Comentarista no G+]

  Esse comentário estava bem confuso, eu tive que dar uma melhorada, entendi o questionamento do comentarista, mas ele tinha se expressado muito mal.
  A arvore da vida eterna estava no jardim do Éden e não havia nenhuma proibição em comer seu fruto.
  Deus só impossibilitou ao homem comer o fruto da vida eterna quando já tínhamos comido o fruto do conhecimento.

  Porque Eva não comeu o fruto que lhe daria vida eterna antes de comer o que lhe deu conhecimento?

  Oras, sem conhecimento Eva não sabia da importância do tal fruto.
  Sem conhecimento nem sabia que tal arvore existia.

  “E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” [Gênesis 2:16-17]

  Observe que Deus não disse que tinha uma arvore cujo fruto nos daria vida eterna.
  De alguma maneira Deus evitou que Adão e Eva comecem por “acidente.”
  O raciocínio para essa dedução não é muito fácil, mas também não é difícil.
  Se bastou que Adão e Eva comessem um fruto do conhecimento para adquirir conhecimento, bastaria um fruto da eternidade para serem eternos.

  Se Adão e Eva não eram eternos então nunca comeram o fruto.

  Sim, mesmo sem comer o fruto talvez eles pudessem viver por um tempo indefinido segundo a vontade de Deus, mas se comessem o fruto sua eternidade seria “garantida” mesmo que Deus não quisesse isso.

  Um fato bíblico que fortalece essa dedução foi a urgência com que Deus cercou a arvore da vida eterna após Adão e Eva adquirirem conhecimento, porque a pressa!?

  “Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente,
  O Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado.
  E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida. [Gênesis 3:22-24]

  Suponhamos que meu computador seja a arvore da vida eterna.
  Um chimpanzé só saberá a capacidade do computador se beber o suco do conhecimento e eu o proíbo de beber o tal suco, mas deixo na mesa da cozinha.
  Ele bebendo o suco entenderá a importância do computador e toda a tecnologia embarcada nele, mas eu tranco o computador e não deixo o chimpanzé ter acesso a ele.
  Outra coisa interessante para pensarmos é que se eu realmente não quisesse que o chimpanzé adquirisse conhecimento de jeito nenhum...eu não deixaria o suco da inteligência ao seu alcance.

   Se realmente “Deus” não quisesse que adquiríssemos conhecimento... não deixaria a tal arvore ao nosso alcance.

  Então porque a proibição?

  Isso é uma Filosofia muito complexa.

  O Grande feito é que nós adquiríssemos consciência individualizada e a “desobediência” sinalizou esse feito.
  O computador tem muito conhecimento arquivado, mas ele não sai fora do que foi programado para fazer.
  Se um dia desenvolvermos inteligência artificial nos computadores talvez sintamos a mesma euforia de Deus com o feito da inteligência artificial em maquinas biológicas.



  Mas nossa consciência/inteligência “ainda” não é de boa qualidade, quando for quem sabe possamos comer o fruto da eternidade.
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   Isso nos leva mais uma vez naquele plano de pensamento que podemos estar em algum tipo de aprendizado treinamento.

  Nesse sentido me parece que ganhamos pontos se conseguirmos ir além dos livros sagrados.
  Veja bem passamos no primeiro teste ousamos divergir de Deus, é algo como um pássaro que se liberta de uma gaiola, de uma limitação, mas isso não basta agora tem que aprender a voar

  Por esses dias estava conversando com um colega sobre uma matéria da superinteressante
  A matéria sugeria que a abertura do mar vermelho atribuída a Moisés deve ter sido algum período prolongado de seca e talvez nem tenha sido exatamente o mar vermelho.
  Meu colega não gostou da matéria a considerou um engano.
  Ele acredita piamente em todo milagre narrado na Bíblia, ele se proíbe de pensar diferente disso.

  Tudo bem ele não gostar ou discordar da matéria, muita coisa que aparece na super eu também acho viagem na maionese.
  O problema é que ele não discorda com um bom argumento me parece mais um dogma.
  Como ele acredita absolutamente em todos os milagres narrados na bíblia se está na Bíblia que sob ação do poder de Deus Moisés abriu o mar vermelho ... foi exatamente isso que aconteceu.

  Claro que depois de milhares de anos dizer que em determinado período ocorreu uma seca de enormes proporções é um chute e a revista deixa bem claro isso.
  No entanto lembre-se que em 2010 a região amazônica passou por grande estiagem, atravessar por certos rios que pareciam mar ficou bem mais fácil.

  “Amazônia enfrentou em 2010 a maior seca da história, diz cientista do Inpe”. [O Globo]  CliqueAqui

  Temos outro exemplo na região sudeste e o sistema Cantareira, lugares que pareciam mar ficaram secos em 2014.
  Logo, a sugestão da revista me parece mais crível que um homem bater o cajado e um mundaréu de água se dividir.

  E aqui surge a grande diferença entre as mentes, muitos limitam seu alcance empacam em um conceito e não o abandonam de jeito algum.
  Depois de adquirirmos consciência qual seria o próximo passo?
  Penso que melhorar a qualidade da consciência.
  Somos jogados nesse labirinto ideológico, um campo de provas para aprimorar nossa consciência.

   Os “salvos”, aqueles que evoluirão para próxima fase, são os que conseguem enxergar além dos dogmas.

  Questionar as “historias sagradas” de qualquer religião é um fruto proibido, mas se algum poder realmente não quisesse que fizéssemos isso nenhum de nós teria essa capacidade.

  Gosto desse plano de pensamento porque ele é bem favorável a mim.

  Quando eu faço o “bem” é porque realmente acredito nele e não porque está escrito em algum livro sagrado.

  Se por algum motivo faço algo “mal” sou consciente disso e arco com as consequências caso elas aconteçam.
  Mentes que chegam a esse ponto, podem evoluir para a próxima fase, a da vida eterna, serão salvas, “Deus” não precisa mais ficar de baba delas.

  As mentes infantis vão ficando por aqui até que se tornem capazes de cuidar de si mesmas sem depender de dogmas para dar algum sentido a vida.



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