sábado, 30 de maio de 2015

Viagem Astral

  No plano de pensamento onde somos espíritos presos em um corpo biológico o que nos mantem nessa prisão?
  Ficamos presos o tempo todo ou podemos sair para o "banho de Sol"?
  Temos "licença" para sair de vez em quando?

    Podemos "artificialmente" diminuir nossa ligação espiritual com o corpo físico?


  A licença para sairmos acontece naturalmente no momento em que sonhamos.
  Pode acontecer "artificialmente" com o uso de drogas.

  Eu entendo alguém se drogar para ter mais disposição física, se sentir mais seguro/confiante, fora isso não vejo lógica em usar drogas.
  Nunca usei drogas não sei como é a sensação, mas acredito que nos filmes as imagens produzidas correspondem a relatos reais.
  Perguntei a alguns amigos que se drogavam o que eles viam ou sentiam e os relatos conferem.
  Na maior parte do tempo eles tem visões surreais não muito agradáveis e imagens distorcidas.
  Um colega disse que viu cobras saindo por ralos, eu ri muito.

  Caraca mano, que sensação "maravilhosa" é essa de ver cobras por todos os lados.
  Se você fosse um gayzinho vendo pênis por toda parte eu até entenderia seria como um gordo em uma doceira.
  Mas cobras!!

  Ele disse que não começava com coisas como cobras e outros monstros, mas com uma sensação de muita paz, muita plenitude, flutuar como uma nuvem.
  A "cobra", a paranoia é o efeito colateral indesejado e inevitável.

  Quando ele disse isso minha mente entrou em espiral, sim, eu sabia muito bem o que ele estava dizendo, eu reconhecia essa experiência.
  Era o que acontecia comigo quando sonhava.
  No início era muito agradável depois vinha o terror.
  Para quem se droga é “só” parar de usar droga [sei que não é fácil], mas como alguém deixa de dormir?
  Se eu dormisse eu sonhava e o pesadelo acontecia.
  O jeito foi tentar controlar o sonho.
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
  Fiquei muito habilidoso, eu direcionava o sonho para lugares bonitos que eu tinha na memória, no entanto permanecer nesses lugares era bem difícil.
  Eu estava nesse lugar bonito e algo forçava uma mudança para situações desagradáveis daí eu forçava minha mente para redirecionamento.
  Eu ia pulando de paisagens em paisagens de situações em situações.
  Era bem cansativo eu já percebia quando estava sonhando, o mais lógico seria parar de sonhar, mas nunca aprendi como interromper o sonho.
  O sonho faz parte do sono profundo e precisamos do sono profundo.
  O jeito era ficar atento a qualquer mudança, luz diminuindo, coisas e pessoas bonitas ficando feias... era o sinal que eu deveria forçar minha mente para o redirecionamento.
  Se a grama estava verde e começasse a perder a cor era um sinal.
  As vezes não dava tempo a mudança era muito rápida, o dia virava noite.
  Resolvi esse problema também, aprendi a voar, mais precisamente flutuar.
  Eu dava um grande salto e ficava meio como uma bexiga.
  Se eu estivesse aterrissando em algum lugar desagradável, com pouca luz, forçava minha mente para um novo impulso até encontrar um lugar agradável.
  Com minha habilidade aumentando meus poderes também foram sendo desenvolvidos eu já não ficava sem forças conseguia correr e mais que isso caso alguma criatura conseguisse se aproximar conseguia afasta-lá com golpes, isso era só em situações extremas eu meio que instintivamente sabia que a prioridade era me afastar, evitar contato.

  O terror noturno deixou de acontecer os sonhos continuavam intensos, mas para eu agora era mais uma grande aventura.
  Grande aventura no sentido literal, na minha percepção os sonhos duravam a noite inteira.
  Várias vezes um sonho começava no início do sono se por algum motivo eu acordasse durante a madrugada quando eu voltasse a dormir o mesmo sonho continuava!!
  Eram super produções, o que me deixava encafifado.

  Até que ponto aquilo era sonho, algo totalmente circunscrito a minha mente?

  Eu gostava de direcionar minha mente para comida, eu sempre estava em um lugar bonito comendo alguma coisa, mas a comida não tinha muito gosto as vezes eu acordava mordendo a fronha...HAHAHAHAHAHA! (isso não ficou legal)

  Foi nesse certo tédio que me surgiu a idéia de um teste.
  Direcionar minha mente para uma casa lotérica no tempo futuro eu conseguiria alguns números e jogaria para ver o que aconteceria.
  O que eu acreditava que iria acontecer?
  Eu estava muito habilidoso, com facilidade chegaria ou apareceria na casa lotérica veria os números, jogaria na vida real e não daria nada era só fruto da minha mente, eu poderia imaginar quaisquer números.

  De início algo estranho aconteceu, eu tinha mentalizado uma casa lotérica aqui perto na avenida das Amoreiras, não sei como explicar, ela sumiu, era como se metade do bairro que eu morava não existisse e bem a parte que tinha a casa lotérica.
  Metade do bairro ficava em uma escuridão sem fim eu que não iria entra naquele breu.
  Não me dei por vencido.
  Mentalizei o centro da cidade e apareci no início da avenida 13 de maio.
  Eu me lembrava de uma casa lotérica próximo ao largo do Rosário.
  Era para ser dia, mas estava noite... isso era outra coisa fora da minha rotina, por mais que eu mentalizasse a luz ela não aparecia.
  Fui flutuando por aquela 13 de maio com alguns vultos mal encarados passando ao lado, na minha percepção era madrugada não conseguia transformar aquela situação em dia.
  Tudo pedia para eu mentalizar uma outra situação, um lugar bonito comendo alguma coisa, mas a lotérica estava tão pertinho.
  Quando cheguei na catedral de Campinas a luz era bem tênue depois dela era só breu o mesmo breu que encontrei no bairro.
 
  Depois de tanto esforço desistir ali? Era só um sonho o que de tão mal poderia me acontecer?
  Eu pensei que entrar no breu seria como entrar em uma densa neblina passando a catedral minha capacidade de visão melhoraria...
  Esse foi o último pensamento que lembro ter tido.

  Daquele breu saíram duas criaturas uma agarrou meu braço direito e outra o esquerdo foi tão rápido que não tive tempo de nenhuma reação fui levado de costas há uma velocidade incrível mais parecia uma queda.
  Imagine se atirar de costas de um prédio bem alto, o terror de esperar o impacto.
  Eu cai no meu corpo.
  Daquela vez não foi como o acordar de um sonho, mas foi como ser jogado de volta no meu corpo.
  Acordei péssimo, como se estivesse todo arrebentado, a sensação era de ter afundado na cama e ficar surpreso por ela não ter quebrado.
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
  O que me impediu de ver aqueles números?
  Minha mente eu tenho quase certeza que não foi.

  De qualquer forma o resultado foi satisfatório, eu parei de sonhar ou pelo menos não me lembrava mais dos sonhos.
  Quando muito tinha um flash bem rápido de alguma coisa.

  Sim eu podia manter minha habilidade de sonhar com coisas agradáveis aquele flutuar por paisagens como uma nuvem.
  Mas se nada mudaria na minha realidade ... não vi muito sentido nisso.
  E a qualquer descontrole eu encontraria “cobras e lagartos.”
  A noite foi feita para dormir e era só o que eu queria desde há muito tempo.

  A conversa com meu colega drogado aconteceu muitos anos depois, juro que não consigo mais localizar com precisão no tempo esses acontecimentos.
  Afinal nunca mantive um diário.
  Se me dissessem lá no passado que a partir de 2007 eu iria tornar tantos acontecimentos da minha vida públicos eu não acreditaria.
  “Acho” que o sonho da “lotérica” como eu chamo, aconteceu lá pelos 13 anos, muita coisa aconteceu nessa fase.
  A conversa com meu colega viciado ocorreu lá pelos 22 anos.

  Até então eu nem imaginava que o que acontecia nos meus sonhos era tão próximo do que acontecia com usuários de drogas.

  Meu colega e tantos usuários adoram a sensação inicial de flutuar, se sentir pleno e poderoso...a parte “boa da droga” alucinógena o início da viagem.
  Acontece que esse flutuar pelas nuvens não muda sua REALIDADE positivamente, pelo contrário pode prejudicar seu convívio familiar e desenvolvimento profissional e sempre termina com seres e situações monstruosas.
  Você que é viciado tem que se perguntar:

  VALE A PENA?

  Um pouco de grande prazer, para depois tanta dor e sofrimento, “cobras e lagartos”.

  Até que ponto o uso das drogas cria apenas ilusões em seu cérebro ou te coloca em contato com entidades?

   “As pitonisas não faziam previsões sem estarem sobre efeito de substancias tóxicas.
  Isto é fascinante por ser um padrão que se repete ao longo da história da humanidade.
  É muito difícil encontrar alguma tribo em algum lugar do planeta durante toda a história da humanidade que não tenha surgido a figura do pajé, do curandeiro.
  Em comum todos eles se utilizavam de substancias tóxicas, que provocavam alucinações.
 Até que ponto tudo que esses pajés viam era alucinação, fruto da imaginação deles em um cérebro desorientado?” [Oraculo de Delfos]

  Sem nenhuma preparação ou habilidade você vivencia os piores contatos sem chance de defesa.
  Vira alvo fácil para “legiões de demônios”, mas esse seria um outro texto, vamos ficar por aqui.

  “O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê.” [Platão]

  O que me mantem vivo é o sangue que estufa minhas veias ou o sopro do espirito que não se vê?

  "Decifra-me ou te Devoro!"


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