sábado, 30 de julho de 2016

Industria Farmacêutica

  “Cinco jovens precisam lutar pela sobrevivência em meio uma infestação de zumbis, iniciada por um vírus criado pela Industria Farmacêutica”
[Sinopse de um Filme de terror]


  Poucos se dão conta de quanto o cinema nos incentiva a odiar grandes empresas, boa parte dos vilões são mega empresários desalmados.
  Poucas indústrias são mais acusadas de conspiração que as indústrias farmacêuticas.
  Se isso ficasse no cinema não vejo muito problema, mas estranhamente muitos misturam ficção com realidade.
  Canso de ver atrizes que fazem vilãs nas novelas dizendo que acontece de serem xingadas na rua por algumas pessoas ... digamos “sem noção” (idiotas).
  Se isso é exceção com relação a personagens de novelas no caso da Industria é regra. [principalmente as farmacêuticas e petrolíferas]

  A sugestão dos filmes é levada a sério, toda indústria é culpada de qualquer fato monstruoso até que se prove contrário.
  E mesmo sem evidencias há uma condenação.
  Quem não conhece a história que celular dá câncer cerebral ou provoca incêndio em postos de gasolina?
  Tudo em excesso faz mal, se você tem certeza desses malefícios ... USE MENOS O CELULAR.
  Mas não, querem que a Industria desenvolva um aparelho celular que não emita ondas para as torres de celular!
  A indústria só não faz isso porque não quer, é um plano maligno para provocar câncer nas pessoas e aumentar a venda de remédios da indústria farmacêutica ...
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
  Qualquer doença que surge ou vira epidemia o público suspeita que é algum plano diabólico para vender mais remédios.

  Atualmente há uma crise na produção de antibióticos e o que médicos, governos, consumidores dizem?

  Basicamente que os monstros da indústria farmacêutica só pensam em dinheiro, não querem produzir penicilina porque o custo e baixo.

  [Antes de prosseguir entenda que esse texto não é para endeusar a indústria farmacêutica.
  Se até em instituições de caridade como a Cruz Vermelha ocorre inconvenientes éticos o que dirá de outras atividades humanas.
  Meu objetivo é apresentar um outro ângulo de visão para que a solução para o problema de falta de antibióticos seja eficaz.]

  A indústria não deixa de produzir algum produto porque o custo e baixo.
  Estamos cercados de coisas com custo baixo.
  Qual o custo de um pãozinho?
  Quanto custa produzir uma caneta?
  Quanto custa produzir um botão?

  A indústria deixa de produzir um produto se não tem lucro ou demanda.

  Não adianta produzir carros verde limão se poucas pessoas se interessam comprar carro dessa cor.
  Quem quer muito compre um carro branco e mande pintar.

  Com 7 bilhões de pessoas no mundo antibiótico tem muita demanda e quem produz tem direito ao lucro.
  Porque queremos negar esse direito a indústria farmacêutica?
  No caso de remédios estamos falando de vidas.
  Se vidas são tão importantes porque nos recusamos a pagar o preço?
  “A indústria” tem que entender que salvar vidas é importante e deve abrir mão do lucro.
  Para nós vida e importante, mas não a ponto de gastarmos nosso dinheiro?!

  Para uma empresa sobreviver ela precisa de lucro.
  Se negamos o lucro a indústria farmacêutica ela morre ou deixa de produzir o que não dá lucro.

  Você trabalha na indústria de graça?
  Quem fornece insumos a indústria não cobra nada?
  Se todo mundo quer e precisa do lucro porque com a indústria farmacêutica tem que ser diferente?

  Vamos a uma visualização.
  Você precisa tomar para o resto da vida um remédio para o coração.
  Para produzir esse remédio a indústria gasta 10 reais.
  O empresário precisa vender esse remédio por 12 reais, é o lucro que o satisfaz pelo trabalho realizado.
  O que propomos as empresas é que elas trabalhem pelo simples prazer de ajudar o próximo. 😲!  
  Oras então os funcionários tem que abrir mão do salário o Governo dos impostos; água e eletricidade não devem ser cobradas, os fornecedores tem que também abrir mão de qualquer lucro...
  A iniciativa privada não tem como viver sem lucro.
  Para todos abrirem mão do lucro todas as empresas devem ser estatais e todos os trabalhadores funcionários públicos.

  Uma nação socialista/comunista 100% (se isso fosse possível) inexistiria o lucro.
  Até agora não temos notícia de uma economia planificada que tenha se saído melhor que as economias de ponta capitalistas.
  Logo, se a indústria precisa vender um remédio por 12 reais devemos respeitar isso.

  “Mas e se o cidadão não tem dinheiro para comprar o remédio e se não tomar vai morrer?”

  Essa responsabilidade NÃO pode ser atribuída a empresa.

  Suponhamos que você possa pagar apenas 7 reais pelo remédio.
  Sua família que valoriza tanto sua vida pode lhe ajudar, se sua família não está disposta a fazer nenhum sacrifício por você porque a indústria é obrigada a fazer!?

  Você não tem família, ela não gosta o suficiente de você, ou estão todos sem dinheiro?
  Nós enquanto sociedade podemos lhe dar um auxílio, pagamos os 8 reais faltantes a empresa via impostos.

  Você precisa pensar que se não houver uma empresa para produzir não adianta você ter dinheiro para comprar.

  Se não existe o produto não adianta orações ou belos discursos humanitários.
  No caso da penicilina a solução é fácil basta você que precisa do remédio pagar o que a indústria precisa que você pague.
  Se não puder pagar o governo do seu país terá que complementar o custo.
  Empresas não são instituição de caridade cujo objetivo final é a ajuda humanitária.

  Qualquer governo pode montar um laboratório Estatal e fazer sua própria penicilina se isso compensa faça isso.
  Qualquer um pode fazer pizza em casa mas a maioria compra pronta porque é mais prático, dá menos trabalho.
  Se pessoas de sindicatos e ONGs se acham humanos muito melhores porque não se unem para produzir medicamentos sem nenhum interesse financeiro?
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  Porque não há novos antibióticos?

  Com relação aos antibióticos há um problema muito mais grave.
  Os que temos no mercado estão perdendo efeito e a indústria não se interessa em pesquisar novos antibióticos e com toda razão.
  Nós queremos que os caras arrisquem suas fortunas apenas para ajudar a humanidade ... é obvio que isso não vai rolar.
  Se não compensa desenvolver remédios o empresário vai procurar outra atividade.

  Para desenvolver uma nova droga leva em média 10 anos, veja bem, são 10 anos investindo em pesquisas com equipamentos caros e cientistas de ponta com altos salários.
  Muitas pesquisas promissoras acabam dando em nada.
  A eficácia do produto é baixa ou tem efeitos colaterais graves.
  São desperdiçados milhões ou bilhões.

  Mas e se der certo, a droga cumprir o que promete?

  Os Governos (com nossa benção) aprovaram leis onde a patente expira em 5 anos.
  Se a droga é muito importante não raro os governos limitam seu preço para não sacrificar o consumidor ou as contas públicas.
  É lógico que na maioria dos casos em 5 anos não dá para a empresa recuperar tudo que investiu.
  Como se não bastasse nem todos os países cumprem acordos.
  Em 1 ano ou menos chineses ou indianos copiam a formula e começam a vender pela metade do preço, afinal eles não investiram um tostão no desenvolvimento.

  Você quer ser mais um idiota a demonizar a indústria farmacêutica?
  Tudo bem.

  Apenas não espere que empresários sejam idiotas de investirem nesse seguimento.
  Cobre de sindicatos, ONGs e “eficientes” Estatais a produzirem e desenvolverem os remédios que você precisa.

  Eu leio muitos elogios ao Instituto Butantan e realmente eles fazem um bom trabalho.
  Quando eles produzem uma droga gostam de fazer comparação de preços com a iniciativa privada.
  Sim, o preço final “aparentemente” sai mais em conta, mas você deve considerar que o desenvolvimento do produto teve um alto custo que você já pagou através de impostos.
  O laboratório estatal não tem um investimento a recuperar porque o contribuinte já pagou por tudo, mesmo que a droga não tenha dado certo.

  “Em setembro de 2009, o Instituto Butantan foi alvo de investigação pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, após denúncias do Conselho de Controle de Atividades Financeiras indicarem que funcionários do instituto teriam desviado, desde 2007, ao menos 30 milhões de reais de verbas repassadas pelo Ministério da Saúde para a produção de soros e vacinas.
  Segundo a promotoria, havia indícios de que os responsáveis pela fundação teriam se beneficiado do esquema.
  Mais tarde, constatou-se que o dinheiro teria sido desviado ao longo de cinco anos por funcionários do segundo escalão da fundação. O resultado da investigação foi a demissão de sete pessoas”

  Em geral Estatais são bem menos eficientes para desenvolver produtos.
  Na iniciativa privada o cientista tem que dar algum resultado, nas estatais por conta da estabilidade dependemos muito da boa vontade do cidadão.
  Outra coisa é que ao contratar a iniciativa privada faz uma pesquisa rigorosa pelo melhor candidato, o mais talentoso.
  Na estatal é concurso público, nem sempre aquele que tem boa memória para fazer provas é alguém talentoso em sua área de atuação.

  Mas se você acredita que a Indústria Farmacêutica é a grande vilã da humanidade e quer trata-la como tal ... o que eu posso dizer?

  Dias muito piores virão o terror sairá das telas para entrar de vez em nossas vidas.



Lembrei desse texto:

  Você que utiliza ou já utilizou antibióticos deve agradecer muito a alemães e ingleses.
  Veja o caso do coquetel anti-HIV.

  José Serra quebrou a patente do remédio que trata AIDS e brindamos isso como um grande feito.

  “Brasil quebra patente de remédio contra Aids
  O ministro da Saúde, José Serra, determinou na tarde desta quarta-feira a primeira quebra de patente de medicamento do país.
  O medicamento Nelfinavir, fabricado pelo laboratório Roche, teve quebrada a patente devido ao preço elevado para o consumidor.
   Cada comprimido do medicamento custa a equivalente US$ 1,36. 
   O remédio é usado por 25% dos pacientes com Aids no país.” [Folha]

  O primeiro grande avanço na luta contra a AIDS foi a descoberta do vírus HIV feita por Luc Montgneir do Instituto Pasteur, França.
  O segundo grande avanço (na minha opinião) foi o uso do AZT desenvolvido pelo americano Dr. Jerome Horwitz.
  A companhia farmacêutica americana Burrougs Wellcome pediu para testar o uso do AZT em portadores do HIV e teve sucesso.
   É evidente que o grande feito foi a existência dos medicamentos e tratamentos proporcionado pelos países desenvolvidos.
  Nós dos países subdesenvolvidos apenas “roubamos” as fórmulas e invenções dos países desenvolvidos porque simplesmente não achamos justo pagar pelas descobertas deles.
  Um soro positivo pode ser muito grato a José Serra e aos governos que se seguiram por bancar um tratamento tão caro [mesmo com a quebra de patente continua caro], mas deve ter consciência que a gratidão maior racionalmente deveria ser a quem desenvolveu o produto e ainda viu seu lucro grandemente diminuído pelas quebras de patente.
  Quebrar patente, copiar fórmulas, desrespeitar propriedade intelectual qualquer governo/povo pode fazer.

  Criar um ambiente de inovação tem sido infelizmente capacidade de poucos povos.   
☛[REPENSE]



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