sábado, 15 de outubro de 2016

Forças Irmãs



_____________________________________________________
  “Quem lembra desse casal?
  Fernandinho e Ofélia do Zorra Total.
  Hoje, depois de levar tantas risadas e alegrias ao público brasileiro, estão doentes e abandonados pela Globo.
   Isso a Globo não mostra.
   Isso me faz refletir e aprender que, NÓS, só prestamos quando temos algo a oferecer.”
  [Post no Face]
______________________________________________________

  O que a Globo deveria fazer!?

  Lúcio Mauro, aos 89 anos, se recupera de derrame.
  Estado estável.

  Claudia Rodrigues (45 anos) convive com as sequelas da cirurgia de transplante de células-tronco, a qual foi submetida há pouco mais de seis meses para tratar uma esclerose múltipla.

  Eles trabalharam na Globo, receberam seus salários.
  Lucio Mauro tem idade para se aposentar, porque foi ator da Globo merece algum benefício extra!?
  Claudia tem uma doença genética rara, pode se aposentar por invalidez.
  A Globo é uma empresa com fins lucrativos.
  Não é ONG, não é asilo, não é hospital.

  Eu assinei um contrato com a Unicamp, trabalho eles me pagam.
  Se eu ficar doente que compromisso profissional a empresa tem comigo além dos previstos em lei?

  Nos compadecemos de todos que estão doentes ou à beira da morte isso é natural, mexe com nossos sentimentos.
  Somos seres emocionais, apenas lembre-se que também somos seres racionais.
 Geralmente a razão torna nossa vida mais eficiente e a emoção torna nossa vida mais prazerosa (ou não).
  É evidente que razão e emoção não são forças opostas.
  Vamos dizer que são “forças irmãs”.
  Essa comparação é muito boa.
  Irmãs estão unidas pelo DNA, pelos “laços de sangue”.
  Razão e emoção são partes intrínsecas de nós.
  Mesmo a mente mais emotiva tem momentos de racionalidade.
  Mesmo a mente mais calculista se emociona por algo.

  NOSSO DESAFIO DE SABEDORIA é fazer com que essas forças irmãs sejam harmônicas e não deixar que elas fiquem brigando feito “cão e gato.”
  Hoje em dia até cães e gatos vivem em harmonia, eles parecem ser “inimigos” só nos desenhos.
  Se cães e gatos ficaram mais civilizados, nossa emoção e razão também podem ficar, pensamento positivo ...

  Embora a emoção seja a irmã mais velha a caçula razão deve ter a última palavra, é o mais sábio a fazer.
  Isso é bem fácil de escrever e de entender, mas colocar em pratica...

  Vamos audaciosamente onde nenhuma mente jamais esteve.
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
  Assim que nascemos uma certeza temos.
  Vamos morrer.

  Reduzindo ao mínimo denominador comum, morremos de duas maneiras.
  Um dano físico muito grave [queda, batida, facada, tiro, afogamento] ou complicação de alguma doença.
  Vamos falar de doença.
____________________________________________________
  “DOENÇA é um conjunto de sinais e sintomas específicos que afetam um ser vivo, alterando o seu estado normal de saúde.
   O vocábulo é de origem latina, em que “dolentia” significa “dor, padecimento”.
____________________________________________________

  Quando as pessoas adoecem elas emocionalmente querem um tratamento especial por parte de todos a sua volta.
  É algo que me foge à razão.

  A pessoa quer um tratamento melhor por estar em mau funcionamento!?

  Quando estou doente a única coisa que espero das pessoas e que sejam mais tolerantes com minhas falhas, eu tento dar o melhor de mim, mas com alguma dor ou indisposição meu rendimento é menor.

  Mas você deve conhecer aquele tipo de pessoa que ao ficar doente espera que façamos tudo por ela.
  Sei lá, na família isso é normal, compreensível, mas no trabalho, a não ser que você tenha um laço de amizade muito grande ... é complicado.
  Claro que ninguém se nega a trabalhar um pouco  mais caso um colega esteja naquele dia mal de saúde.
  Mas e se o colega está sempre com problema?
  Você vai ficar sempre se desdobrando para compensar a menor produtividade do companheiro?
  Racionalmente não é justo e emocionalmente é?
  Essas irmãs conseguem chegar a um acordo?

  Vou pegar um caso bem do passado para não ter problemas emocionais com outros, é a minha razão dando a última palavra.
  A emoção quer lavar toda a roupa suja aqui e agora

  Na empresa de armações de óculos tinha o setor de polimento.
  O serviço basicamente era sentar de frente para um motor com feltro ou pano e dar lustro nas peças.
  Uma funcionária contratada para aquele setor começou a reclamar de constantes dores nas costas.

  [Nos 3 meses de experiência ela foi muito bem, não reclamou de nada, tudo estava ótimo, agradecia pela oportunidade de emprego.]

  Por conta das dores ela trazia atestados longos e mesmo quando ia trabalhar parava diversas vezes.
  Embora a empresa fosse pequena e não tivesse muita disponibilidade de funções eu cheguei a pensar em trocar ela de setor, desisti por dois motivos.
  Conversei com ela sobre a possibilidade de mudar de setor e ela disse que gostava do polimento.
  Embora nova (tinha uns 22 anos) disse que em qualquer outro setor a dor seria a mesma.
  Minha dedução foi lógica.

  A garota tinha algum problema na coluna e todos sabemos quanto esse tipo de dor é difícil de tratar.

  Naquela altura ela já tinha uns 8 meses de empresa, o serviço de polimento não era tão pesado a ponto de ferrar a coluna dela em tão pouco tempo.
  Trabalhava sentada e armações de óculos são leves.

  Nessa conversa ela também manifestou uma profunda insatisfação com o salário!
  Na equipe ela produzia menos, ganhava a mesma coisa, mas achava que merecia ganhar mais!
  Ela deveria ganhar mais (ser tratada melhor) porque tinha o sacrifício da dor!?

  Oras, só me restou uma coisa a fazer, demiti-la o mais rápido possível.
  Eu como encarregado representava a empresa, o que deveria fazer?

  É nessa parte da demissão e salários que chamam empresas e empresários de monstros exploradores.

  Mas entenda que quando você é demitido não é a empresa que te demite é seu chefe.
  Já escrevi várias vezes que não tem uma dona Samsung, Sony, Bosch andando por aí como alguma entidade.
  São encarregados, chefes, diretores que decidem se você continua ou não na empresa.

  Eu fui monstro em demitir a garota?

  Porque?
  Fiquei triste ao perceber seu problema de coluna, mas ela produzia bem menos que os outros funcionários, a equipe tinha que segurar esse rojão em nome do que?

  E como se não bastasse ela era tão sem noção que em uma situação dessa ainda se achava injustiçada salarialmente.
  Caraca, eu não era pai, irmão, namorado, amante, amigo de infância ... enfim não tinha nenhuma ligação emocional mais forte que ao menos “nublasse” minha razão.

  Senti muito pelo problema de saúde dela, mas a empresa não era ONG sem fins lucrativos.
  O que ela racionalmente deveria fazer era parar com paliativos e buscar uma solução efetiva para o problema da coluna.

  Meu patrão nem pensava em demiti-la, se você quer sentir nojo de alguém ... esse cara sou eu. 😩
  Ele detestava demitir pessoas.
  Nossos momentos mais tristes eram justamente quando por falta de vendas tínhamos que enxugar o quadro de funcionários.
  Nós contratávamos só quando as coisas melhoravam razoavelmente, justamente para não ter que demitir depois.

  Fiz uma reunião com ele e fui bem franco na minha análise sobre a garota.
  Em firma pequena cada um que se ausenta faz uma falta terrível.
  O problema de saúde da garota era de difícil solução.
[Não, não era fingimento. A não ser que ela fosse uma ótima atriz, seu desconforto era real.]
  O fato é que o setor de polimento iria ficar com a equipe sobrecarregada e produzindo abaixo da capacidade enquanto aquela funcionaria estivesse ali.
  A razão falou mais alto e demitimos a garota.

  Sempre que eu demiti alguém fiz questão de dar uma explicação “possível” porque a pessoa estava sendo demitida.
 [Nem sempre é possível falar toda verdade, seja para não ofender/humilhar a pessoa, seja para proteger legalmente a empresa]
  Nesse caso a explicação possível foi “mais ou menos” assim, já faz muito tempo:

  “Eu não tenho nenhuma vaga na empresa para o setor administrativo e na linha de produção não temos nenhuma função que não seja repetitiva.
  Eu sinceramente acho que você não tem a melhor das colunas, veja que as outras funcionárias fazem o mesmo serviço numa boa, acontece o cansaço, mas não a dor física.
  Eu estou te demitindo, fique tranquila, você vai receber tudo que lhe é devido.
  Eu aconselho a você duas coisas.
  Fazer exames mais detalhados sobre sua coluna, quem sabe não está desenvolvendo alguma hérnia e quanto mais cedo você detectar melhor para corrigir.
  A outra é procurar um emprego não repetitivo onde você tenha liberdade para sentar ou levantar a hora que bem entender.
  No comércio isso é mais possível que na indústria.
  Você é muito legal, muito trabalhadora, em uma outra situação será bem vinda de volta a empresa.
  Você vai receber todo seu fundo de garantia e tem direito ao seguro desemprego, juízo.”

 [Eu sempre terminava falando dos benefícios, dinheiro sempre anima as pessoas, ganhar sem trabalhar anima ainda mais.]
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
  A grande maioria dos trabalhadores nunca esteve em um cargo de chefia, nem foi dono de alguma empresa.

  Como a maioria não tem essa experiência a noção generalizada é que toda empresa por menor que seja é podre de rica, tem dinheiro para pagar excelentes salários e ótimas condições de trabalho, só não faz isso por ganância do patrão.

  O chefe é sempre um carrasco, babaca e puxa saco.

  Eu sei porque na minha adolescência pensava assim.
  Meu primeiro emprego foi em uma banca de feira.
  Na minha cabeça o Wagner tinha muito dinheiro e ele e a esposa eram meus carrascos.
  Eu nem entendia porque ele todo dia não comprava pastéis ou lanche para nós.
  Eu só via o dinheiro que entrava no caixa nem pensava no custo da mercadoria, impostos, o trabalho dele para conseguir as mercadorias ... os dias que o movimento era bem fraco e entrava pouco dinheiro em caixa.

  Anos depois quando ocupei um posto de chefia na fábrica de óculos percebi a enorme responsabilidade que era.
  O “babaca puxa saco” agora era eu.
  Não é à toa que muitos nem tentam ser chefes.

  A empresa era pequena, no seu auge teve cerca de 70 ou 80 funcionários, eu tinha que me envolver em todos os aspectos.
  Todas as reuniões importantes eu estava presente.

  Depois dessa fase, quando a empresa foi absorvida por outra, montei um negócio próprio.
  Fui patrão no sentido amplo do termo.

  Sei lá, se eu não tivesse passado por tudo isso talvez ainda estivesse naquela “fase adolescente” de desprezar a chefia e falar mal da empresa ... que mal ou bem me estava garantindo um emprego e salário no fim do mês, eu é que fui atrás do emprego.

  Então e aí?
  Eu fui monstro em demitir a funcionaria?
  O que você teria feito no meu lugar?
  Medite sobre isso.
  Depois continuamos.

  Por vezes consideramos alguma pessoa como sendo monstro porque não a conhecemos direito.
  Outras vezes consideramos alguma pessoa santa porque não a conhecemos direito.

  Essa sequência não vai focar em conhecer as pessoas, mas em conhecer as situações.

  Eu acho incrível quando as pessoas definem uma atitude como monstruosa, mas que naquela situação fariam a mesma coisa.

  Demitir alguém que quer permanecer no trabalho é emocionalmente horrível, mas em inúmeras situações racionalmente é preciso.

▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬
  Todos emocionalmente se entristecem ao saber da doença de Claudia Rodrigues e Lucio Mauro, todos queríamos que eles fossem eternos, emocionalmente queremos procurar um culpado, alguém para responsabilizar...

  Deixe a razão ter a última palavra.

  Assim que nascemos uma certeza temos.
  Vamos morrer, por acidente ou doença.

  Prepare-se e entenda, há uma grande limitação do que você pode fazer e do que as pessoas podem fazer por você.

Uma empresa não pode mantê-lo em nome do tempo que você era produtivo.

As pessoas não podem deixar de viver a vida delas para viver a sua.

  Você acreditar que o mundo tem que girar em torno de você porque está doente é a emoção dando a última palavra.


  A sabedoria está há milhas, e milhas, e milhas da sua mente ... isso geralmente se traduz na intensificação da dor e do sofrimento, decepção e depressão.






Anterior          COMENTAR        Próximo