sábado, 4 de fevereiro de 2017

Memória e Inteligência

  “Garota cigana Nicole Barr de 12 anos tem QI maior que Einstein e Stephen Hawking.”

  Os resultados não significam necessariamente que ela é mais “esperta” que Einstein ou Hawking.
  Durante a última década, os neurocientistas têm demonstrado que os teste de QI, ou quociente de inteligência, realmente não definem o quadro completo sobre a inteligência.
  Embora os testes possam medir adequadamente a capacidade de memória, habilidade matemática, raciocínio verbal e lógica, a pesquisa mostrou que eles são fundamentalmente falhos quando se trata de prever a inteligência geral, que envolve a sincronização de várias regiões do cérebro ao mesmo tempo.

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  Acredito que esses testes subestimam a MEMÓRIA.

  Ou não tem uma ferramenta/sistema para medi-la eficientemente.

  Alguém de boa memória pode passar por inteligentíssimo.
  Enquanto alguém com pouca memória pode ser considerado burro.

  É comum eu decepcionar as pessoas por vários motivos.
  (Meu erro foi ter nascido 😄)
  Uma decepção muito comum é me perguntarem coisas e eu dizer simplesmente não sei.
  Por vezes escuto.

  “Como você não sabe!?
   Você sabe tudo.”

  Ninguém sabe tudo.
  Eu já li muito, mas lembro pouco.

  De que me adianta?
  Minha memória não guarda detalhes, ela guarda planos gerais.
  Eu não sei exatamente (não lembro) o que é uma coisa, mas sei onde procurar.
  Isso era muito mais útil antes dos sites de busca, mas mesmo hoje tem grande serventia.
  As informações na rede são infinitas, quem consegue separar o essencial do supérfluo tem resultados mais rápidos, respostas mais eficientes.
  Eu tenho essa habilidade.

  Há pessoas que tem boa memória, mas nem sabem disso.
  A memória guarda planos gerais e detalhes, mas só coisas do “interesse do indivíduo.”
  Em testes mais simples essa pessoa pode até passar como alguém de memória fraca, acontece que o teste não lhe desperta grande interesse.
  Decorar uma sequência de números, rostos ou cartas é entediante.
  Se é uma série televisiva que ela goste a MEMÓRIA está ali afiadíssima.

  Os testes de QI foram uma grande novidade, mas faz tempo que as pessoas sabem da sua existência e se preparam para ele.
  Quem tem boa memória mesmo sem querer lembra algumas respostas.

  Veja essa charada:

  Qual meio de transporte só se desloca em linha reta?

  Uma pessoa há muitos anos me fez essa pergunta e não consegui acertar.
  Pensei em “todos os meios de transportes” que consegui lembrar e nada.
  Foguete, pode fazer curva.
  Trem, claro que faz curva, ele anda em uma linha, mas ela não precisa ser sempre reta.
  Teleférico, não é usual, mas pode fazer curva de acordo com a colocação dos postes de sustentação.
  Quando desisti do enigma ela me disse elevador.

  É, elevador.

  Até aquele momento nunca tinha considerado o elevador um meio de transporte, mas é evidente que ele se encaixa nessa categoria.
  Qual a função essencial do elevador?
  Prender pessoas?
  Assa-las em incêndios?
  Não abestado!
  É transportar objetos e pessoas.

  Imagine essa pergunta caindo em um teste de seleção para emprego ou inteligência.
  Eu resolveria rapidamente com base em minha memória não na dedução lógica.
  O fato é que eu daria a resposta certa, meu avaliador não conseguiria diferenciar se eu resolvi pela inteligência ou pela memória a não ser que eu dissesse a ele.

  Tem outra situação fascinante.

  Resolver o enigma sem eu saber que já sabia.

  A charada do elevador foi algo que ocorreu há tanto tempo, ficou lá no fundo da minha mente e emergiu quando solicitado.
  Em hipnose acontece um processo semelhante.
  Sua mente entra em um estado que traz à tona memórias profundas as quais conscientemente você nem sabe que tem.
  Fica fácil perceber isso com relação às piadas.
  Sabe aquela piada que sumiu da sua mente, se alguém pedisse para você contar piadas não contaria ela porque não lembra.
  Mas quando alguém começa contar você sabe que já ouviu.
  Até ri de novo.
  Um estímulo trouxe a piada de volta a superfície da sua mente.

  Fica claro que:

  A memória pode imitar tão bem a inteligência que é difícil separar uma da outra.
[William Robson]

  Mesmo em processos de criação nada é conclusivo.

  De repente você viu alguém fazendo algo novo, gostou e memorizou aquele procedimento.
  Começou a fazer, outras pessoas gostaram e te consideraram genial, muito criativo.
  Gostamos de ser admirados … aceitamos o crédito.
  O fato é que fomos observadores, não criamos o processo.

  Recentemente comecei a escrever um aviso no verso de um cartão de controle do hospital.
  Muitas pessoas estão gostando (outras sempre torcem o nariz para qualquer inovação).
  As que gostam elogiam minha “criatividade.”
  Em verdade vos digo que não criei, apenas observei.
  Uma acompanhante fez uso indevido do cartão.
  Minha colega Cidinha além de alerta-la para o uso indevido escreveu no verso do cartão que ele só poderia ser usado por acompanhantes.
  Achei muito legal e imitei.


  Na minha vida já desenvolvi vários procedimentos, mas raramente recebo os créditos, para falar a verdade não ligo muito para isso.
  Se as pessoas copiam e ficam mais eficientes me basta.
  Por esses dias a equipe estava desconfortável com uma situação e eu providenciei algumas mudanças.
  Basicamente mudei algumas sinalizações de orientação ao público e abri uma porta que não é costume abrir nos finais de semana.
  Minha colega Dirce me disse que as mudanças foram boas.
  Eu disse que fiz as mudanças pensando em mim, mas se ela gostou estava tudo bem  😄.

  A vaidade da admiração é bem pouca em mim.
  Eu gosto de dinheiro; elogios ... qual a utilidade disso!?

  Sou egoísta, faço as coisas pelo prazer da eficiência ou para meu próprio conforto.

  Se algo que eu desenvolvo vai prejudicar alguém fico meditando sobre o projeto até que isso NÃO ocorra, se não for possível eu aborto o projeto.
  Logo, quando desenvolvo um projeto, uma atividade, minha preocupação com as outras pessoas se limita em não prejudica-las.
  O centro das minhas atenções SOU EU.
  MEU prazer pela eficiência.
  MEU prazer pelo conforto.

  [Isso é preparação para outro texto.]

  Algumas ideias mais sofisticadas (produtos e serviços) que poderiam render algum dinheiro eu deixei até agora em “modo de proteção”.
  Mas parece que minha “sina” não é ter dinheiro.
  Não é eficiente levar tantos projetos para o crematório com meu corpo, quem sabe sejam uteis a alguém com “mais sorte”.

  Isso começou a ocorrer quando decidi escrever blogs.
  Escrevi um livro, fiz de tudo para publica-lo e tentar ganhar algum dinheiro, mais uma vez não consegui.

  Mas porque cremar minha Filosofia comigo?

  Pode ajudar muitas pessoas, dificilmente vai prejudicar alguém.
  Meu egoísmo pode ser cremado comigo...
  Enfim.

Boa sorte Nicole Barr!



  Mais que boa memória desejo que seja inteligente.
  Mais que inteligente desejo que seja sábia, uma grande cientista e filósofa.

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Interessante:

  “Se os americanos de hoje fizessem os testes do século passado, teriam uma média extraordinariamente alta de QI com uma pontuação de 130.”






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